Quedas entre idosos afetam a rotina e diminuem qualidade de vida

Quedas entre idosos afetam a rotina e diminuem qualidade de vida

Setenta por cento das quedas de idosos acontecem dentro de casa. É na segurança do lar que estão boa parte dos obstáculos relacionados a este tipo de acidente. Todos os anos, a cada três indivíduos com mais de 65 anos, pelo menos um sofre queda. O número aumenta na proporção da idade: acima dos 80 anos, cerca de 40% dos idosos passam pelo problema.

As estatísticas acompanham os relatos do médico geriatra da Clinipam, Dr. Kleber Xavier (CRM 22761/PR). “Na rua é mais comum que os idosos peçam ajuda a alguém para se locomover, ou que já saiam acompanhados. Dentro da residência, os caminhos são conhecidos, mas há elementos que passam desapercebidos. Um tapete que escorrega, fios de eletrônicos expostos, pisos escorregadios e pequenas escadas. Um degrau é suficiente para provocar um grande estrago”, diz.

A explicação não se restringe ao envelhecimento natural do corpo: a falta de acompanhamento médico regular e a ausência de atividades físicas aumentam os riscos. Por isso estão no topo das recomendações dos geriatras, acrescenta Kleber: “é essencial melhorar a massa muscular e somente o exercício físico proporciona isso. A fragilidade que leva à queda é fruto da perda desta massa e do enrijecimento de tendões e articulações, que afetam a mobilidade do idoso”, destaca. Outros pontos indicados pelo especialista são as alterações visuais e auditivas, que aumentam as chances de não enxergar um obstáculo no caminho; e doenças neurológicas como AVC, demência e Parkinson – este último afeta diretamente a coordenação motora.

Movimentar-se é essencial

Mais do que tratamento, o exercício física auxilia idosos a recuperarem a autoconfiança e aumentarem a longevidade. A fisioterapeuta da Clinipam, Mayra Pires (CREFITO 143588), conta mais. “O Pilates, por exemplo, é uma atividade bem completa para o fortalecimento e alongamento da musculatura. Além disso, todos os exercícios de fisioterapia têm a função de dar ao paciente o máximo de mobilidade que ele tinha antes da queda, para retomar suas atividades”, diz.

Em boa parte dos acidentes com idosos, a tarefa de retornar à rotina é desafiadora. A recuperação pode ser lenta e uma simples queda leva a quadros bastante graves, especialmente quando há fratura. O geriatra da Clinipam conta que a maior incidência é de fraturas de colo do fêmur, vertebral da coluna lombar e antebraço. “A consequência é a imobilidade: o paciente fica acamado ou em cadeira de rodas, aumentando as chances de outras complicações. Pneumonia, infecção urinária, constipação e até uma trombose podem afetar significativamente a qualidade de vida do idoso depois da fratura. Mais do que isso, há processos depressivos associados a este quadro. O exercício físico funciona, também, como gatilho para a socialização”, explica o médico.

Para prevenir quedas é preciso combinar cuidados

“Todo exercício físico é bem-vindo na terceira idade”, diz a fisioterapeuta Mayra. “Com a fisioterapia trabalhamos prevenção, reabilitação, equilíbrio, reflexos e amplitude de movimentos (ADM´s), auxiliando os pacientes a melhorarem o desempenho em suas atividades diárias”, detalha. A profissional fala que os movimentos podem ser realizados em clínicas especializadas e até mesmo em casa. O importante é não ficar parado.

Reforçar os cuidados com a infraestrutura do dia a dia é papel dos familiares, sempre com orientação profissional adequada. Kleber fala que as adaptações devem ser feitas especialmente para idosos que já têm restrições de mobilidade: “observamos que a mortalidade depois de uma fratura de colo de fêmur é de 25% em 2 anos, mesmo aquelas que são tratadas em momento adequado. Por isso é fundamental evitar ao máximo as quedas, com pequenos cuidados em casa. Recomendamos o uso de órteses, bengalas e andadores de acordo com a necessidade do paciente. Instalar barras de apoio, corrimões, retirar possíveis obstáculos e reforçar a iluminação com sensores de presença são medidas de grande auxílio”.

Por fim, o médico geriatra da Clinipam faz uma recomendação que vale para toda a população, independente da idade. “Cuidar da saúde ao longo de toda a vida proporciona maior longevidade. A oesteoporose, por exemplo, pode começar muito cedo. Ela enfraquece os ossos e quanto antes for diagnosticada, melhor será a massa óssea quando o paciente envelhecer. O mesmo vale para doenças como a artrose e deficiências visuais. Prevenir 100% é praticamente impossível, mas diminuir os riscos é plenamente possível”, conclui Kleber.

Fonte: G1