Para qualquer emergência: Monte seu próprio ‘colchão’ contra imprevistos

Para qualquer emergência: Monte seu próprio ‘colchão’ contra imprevistos

Educadores financeiros mostram 10 passos importantes para transformar a reserva financeira em realidade

Quem não conhece alguém que nos últimos tempos perdeu o emprego, se viu numa situação de saúde complicada ou caiu numa dívida que parece não ter fim? Então, atire a primeira moeda.  Por mais que a intenção seja boa, tornar realidade a criação de uma reserva financeira pode parecer uma missão quase impossível. Tem até quem chame de milagre em casos de orçamento no aperto. Mas, acredite: dá para chegar lá.

Junto com especialistas que entendem do assunto, o CORREIO montou um guia bem prático para ajudá-lo a criar uma reserva de emergência, independente do valor que pretende depositar ou do investimento onde deve guardar esta grana. A reserva de emergência, no final das contas, é um esforço que sempre vale a pena.

Fato é que até com R$ 30 dá para fazer esse ‘colchão’, que pode livrá-lo de uma situação de endividamento lá no futuro, como afirma a economista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Marcela Kawauti. “É guardar assim que sair o salário. Não espere sobrar dinheiro, porque dinheiro não sobra. Não precisa juntar tudo de uma vez só, o importante é tornar um hábito e manter a reserva mensalmente”, destaca.

(CORREIO Gráficos)

Segundo uma pesquisa divulgada este mês pelo SPC, mais da metade dos que investem hoje preferem as aplicações mais fáceis de resgatar. A poupança ainda é a aplicação mais tradicional, preferência de 69% dos entrevistados, seguido da Previdência Privada (12%), que empata com os Fundos de Investimento (12%). Em terceiro lugar vem os Títulos do Tesouro Direto (9%).

Ainda de acordo com a economista, quanto ao montante, a reserva de emergência deve, em média, ser igual ao valor de seis meses de gastos. “A partir deste parâmetro, o consumidor precisa checar e adaptar o valor que deve guardar para que este dinheiro esteja ali disponível e com isso possa salvá-lo de imprevistos”.

Segurança

Depois de passar a trabalhar como Pessoa Jurídica (PJ), o receio de ficar sem emprego, fez com que a psicóloga Sandra Rego começasse a fazer uma reserve de emergência. “Quando saí do regime CLT e não tinha mais direitos trabalhistas isso me preocupou bastante, já que perdi décimo terceiro, férias e o fundo de garantia. Se caso eu saísse da organização e não tivesse uma recolocação rápida no mercado como eu faria para me manter? Então, comecei a guardar”, conta.

Para começar, Sandra precisou rever o orçamento pessoal e ajustar algumas de suas despesas. A reserva está lá, intacta em um lugar que ela prefere nem lembrar onde fica. “Manter a disciplina é muito difícil. Fui guardando e não deixei esse dinheiro por perto até para não correr o risco de eu querer resgatar ou usar pra alguma besteira”, completa.

É justamente aí que está a parte complicada: manter a reserva. Por isso, o especialista em finanças pessoais e fundador do portal Konkero Guilherme de Almeida Prado aconselha que o primeiro passo é tornar a reserva de emergência uma prioridade. “Defina quanto que quer conseguir e em quanto tempo. Se não há objetivo e prazo para ter a reserva, ela fica sempre para depois e os saques são inevitáveis”.

Também é importante não deixar esse dinheiro parado, como recomenda o sócio-fundador do portal Minhas Economias, Paulo Sain: “Este dinheiro deve ser aplicado em um investimento que possa ser resgatado a qualquer momento, que tenha  baixo risco e que não traga prejuízo como o Tesouro Selic, por exemplo”, indica.

AINDA É MELHOR PREVENIR DO QUE REMEDIAR

  1. Diagnóstico financeiro Como tudo ligado a dinheiro, é preciso planejamento. Liste todas as suas despesas e analise quanto você pode tirar todo mês para alimentar sua reserva. Lembre-se: não importa o tamanho do valor. O fundamental mesmo é manter o depósito mês a mês.
  2. Não espere sobrar dinheiro Isto porque grana  nunca sobra. Por isso, a dica é dar ao valor do aporte mensal a mesma importância que você dá ao pagamento de uma despesa básica, como uma conta de luz por exemplo. Para a reserva crescer é preciso torná-la prioridade.
  3. Ainda sobre valores e prazos A economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti, recomenda que o valor da reserva seja igual À soma de todos os seus gastos por seis meses. Se você vai depositar R$ 30, R$ 50, R$ 100… É o diagnóstico que você fez lá em cima é que vai dizer. O importante é chegar a este valor.
  4. Desafio Por falar em metas, a maior dificuldade  é manter a reserva ali e não misturar com a renda mensal ou acabar usando na compra de alguma coisa. Por isso, toda vez que a tentação provocar o bolso, pense: Se eu ficar sem renda nenhuma, como vai ser a minha vida?
  5. Família unida, junta dinheiro unida O esforço precisa ser coletivo. Não adianta os pais se esforçarem para fazer os aportes se os filhos, por exemplo, insistem em comprar o celular da moda. Todo mundo precisa se envolver na construção da reserva de emergência.
  6. Acompanhe sua reserva Analise mês a mês o comportamento da sua reserva de emergência. Se o olhar do dono engordar mesmo a poupança, ótimo. Ficar de olho vai também motivá-lo a fazer os aportes e  avaliar a necessidade de se mudar ou não tipo de investimento onde a reserva está aplicada.
  7. Onde colocar o seu dinheiro? Este é o dinheiro que deve ser aplicado em um investimento de alta liquidez (ou seja, que possa ser resgatado a qualquer momento sem perdas de rendimento) e de baixo risco. exemplos: Tesouro Selic,  CDB-DI ou fundo DI com baixa taxa de administração.
  8. Grana extra Outra dica é jogar lá na reserva tudo que for dinheiro extra. Assim você vai chegar mais rápido ao valor que planejou alcançar. Bônus, participação nos lucros, décimo-terceiro, restituição do imposto de renda são só alguns aportes que serão muito bem-vindos.
  9. Não se prenda ao banco Para rentabilizar sua reserva vale pesquisar outras opções de aplicação, além da poupança ou as oferecidas pelo seu gerente. Há inúmeras corretoras independentes que propiciam investimentos com custos mais baixos e maior rentabilidade.
  10. Controle financeiro Não é porque você tem uma reserva de emergência que vai perder a linha de controle do orçamento. Siga ajustando as despesas e revendo o valor do aporte. Após a formação da reserva de emergência, parta para  outros objetivos, como aposentadoria, por exemplo.

DICA DA SEMANA: CINCO OPÇÕES PARA APLICAR A SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA*

ONDE INVESTIR?
Aplicação R$ Tempo

(meses)

Remuneração mensal Valor final Rendimen-to total IR Saldo final
Poupança R$ 5 mil 12 0,4600% R$ 5.283,09 R$ 283,09 R$ 5.283,09
CDB – 95% CDI R$ 5 mil 12 0,5340% R$ 5.329,98 R$ 329,98 R$ 57,75 R$ 5.272,23
Tesouro Direto Pós Fixado (NTNB IPCA +) R$ 5 mil 12 0,6560% R$ 5.408,12 R$ 408,12 R$  71,42 R$ 5.336,70
Fundo de Investimento R$ 5 mil 12 0,5460% R$ 5.337,62 R$ 337,62 R$  59,08 R$ 5.278,54
Letras de Crédito R$ 5 mil 12 0,4700% R$ 5.289,41 R$ 289,41 R$ 5.289,41

Poupança

Vantagem:  É fácil de investir e acessível até para aqueles que não entendem nada de invetimento.
Desvantagem:  Remuneração baixa, e o rendimento só ocorre a partir da data de aniversário.

CDB – 95% CDI
Vantagem:  Protegido pelo FGC e tem disponível várias opções com variados níveis de rentabilidade e risco.
Desvantagem: Incide imposto de renda.

Tesouro Direto Pós Fixado (NTNB IPCA +)*
Vantagem:  Valor inicial baixo e possui boa rentabilidade. É possível adquirir cotas a partir de R$ 30.
Desvantagem:  Demora no resgate, justamente porque precisa de uma corretora para investir.

Fundo de Investimento
Vantagem:  Prático e fácil de aderir, com boas opções de prazo e rentabilidade.
Desvantagem:  Alto custo e necessidade de aplicações de alto valor.

Letra de Crédito

Vantagem:  Não tem Imposto de renda.
Desvantagem:  Aporte inicial alto e pouca flexibilidade para novos aportes

Fonte: Correio 24h