Palestra magna fecha comemorações do aniversário de 13 anos da OABPrev com auditório da ESA lotado.

Palestra magna fecha comemorações do aniversário de 13 anos da OABPrev com auditório da ESA lotado.

Dezenas de estudantes e profissionais do Direito lotaram, no último dia 29, o auditório da Escola Superior da Advocacia de Goiás (ESA/GO), para assistir à Palestra Magna de Encerramento das Comemorações do Aniversário de 13 anos da OABPrev. O evento foi iniciado pouco antes das 19 horas. Compuseram a mesa diretiva dos trabalhos a presidente da entidade, Keila Cristina, o diretor administrativo financeiro, André Juliano, Samuel Junio, diretor de benefícios, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Goiás (OAB-GO), Lúcio Flávio Siqueira de Paiva; a diretora-adjunta da ESA, Tatiana Givisiez Von Kriiger; e os palestrantes: Nilton Molina, Eduado Arruda e o mediador Rafael Porto.

Em seu discurso, Lúcio Flávio elogiou a iniciativa de Keila Cristina que, ao assumir a presidência da OABPrev promoveu uma reaproximação entre a entidade e a OABGO. “Eu sou um entusiasta da OABPrev, não apenas porque a entidade contribui para a criação de uma cultura previdenciária com olhos postos no futuro, justo porque nós, advogados, temos de ter essa cultura e não temos, precisamos desenvolvê-las; e sou também porque quero que a entidade esteja cada vez maior e mais forte porque minhas economias e as de grande número de meus colegas advogados estão na OABPrev”.

Na ocasião, o presidente da OAB-GO reafirmou a Keila Cristina que, enquanto estiver na presidência da instituição será, assim como a Casag, um grande parceiro da OABPrev. “Enquanto instituidoras da OABPrev, a OABGO e a Casag tem essa responsabilidade e devemos honrá-la, mesmo porque o crescimento e o sucesso da OABPrev é de interesse de toda a advocacia”, afirmou.

Uma das maiores sumidades reconhecidas em todo o País na área de seguros e de previdência social, complementar e privada, Molina é presidente do Conselho de Administração da Mongeral Aegon Seguros e Previdência S/A, parceira da OABPrev; por sua vez, Eduardo Arruda é especialista em Previdência Associativa e em Finanças, enquanto Rafael Porto é consultor atuarial da OABPrev.

Rafael Porto iniciou as palestras com uma breve introdução sobre o tema, explicando as razões pelas quais o País necessita de uma Reforma Previdenciária. Segundo explicou, ao longo dos anos, a sociedade brasileira, cuja grande maioria era formada de jovens passou e continua passando por uma inversão demográfica, em virtude de dois fatores em especial: o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e a queda da natalidade, que fizeram com que, atualmente, os brasileiros contem com maior número de idosos e menor número de jovens, situação de tende a continuar. “Isso significa que, se antes tínhamos uma média de 9 pessoas na ativa para possibilitar o pagamento de um aposentado, estamos caminhando para ter uma pessoa na ativa para cada aposentado, o que torna inviável permitir que a situação prossiga no modelo atual”, esclareceu.

Por sua vez, Eduardo Arruda falou sobre “Educação Financeira no Contexto da Reforma da Previdência”. Sua palestra manteve o enfoque na cultura financeira do brasileiro, que, segundo demonstrou estatisticamente, em comparativos com outros países, não tem o hábito de poupar, em grande parte justamente em virtude do modelo previdenciário do País. Arruda explicou que, com as mudanças que estão a caminho, a sociedade brasileira terá de adquirir novos comportamentos em relação ao dinheiro, independentemente do valor de suas rendas. “É fato: não haverá uma cobertura previdenciária social como a que existe hoje porque o País não tem condições para isso; os filhos não poderão sustentar os pais porque os filhos, por sua vez, também estão diminuindo, numericamente, nas famílias. Caberá ao indivíduo poupar, pensar em formas de garantir sua própria sobrevivência e conforto financeiro no futuro – que envolve planejamento a longo prazo, de preferência – ou ficará “à espera de um milagre”, brincou.

Com o tema “Desafios Comportamentais, Econômicos e Sociais da Longevidade” o palestrante mais aguardado da noite, Nilton Molina, endossou as palavras de Eduardo Arruda e Rafael Porto e buscou concentrar-se em defender a importância de uma reforma previdenciária no Brasil, não necessariamente no formato que foi apresentado ao Congresso Nacional. “É inevitável, necessária, urgente uma reforma previdenciária. A pirâmide se inverteu: estamos caminhando a passos largos para termos uma sociedade mais velha, bem mais velha e o País já não pode mais ter um comportamento paternalista, como se fosse um Estado grande e vigoroso. É preciso que o indivíduo assuma a responsabilidade pela sua sobrevivência na terceira idade e saiba que, segundo estatísticas, é bem provável que viverá muito além dos 60 anos”, explicou.

Molina fez um retrospecto do brasileiro de 60 anos há 60 anos, e o brasileiro de 60 anos nos dias atuais. Por meio de fotos, demonstrou que, naquela época, estar com 60 anos significava estar próximo da morte e ter, de fato, uma aparência bastante frágil e envelhecida. “Hoje, vemos por aí, aos montes, homens e mulheres de 60 anos que estão com tudo em cima, estão trabalhando, mudando de área, reinventando suas vidas. Eu mesmo, aos 83 anos, estou aqui, palestrando para vocês. Essa é a realidade hoje”, pontuou, para endossar a importância de a sociedade brasileira adotar novos comportamentos para lidar com essa nova “terceira idade”, que é saudável, volumosa e tem vontade de viver bem.

Nilton Molina lamentou que grande parte da juventude ainda faça uma interpretação errada dos idosos, tratando-os como se já não tivessem vontades, desejos, sonhos. “O idoso de hoje, no Brasil, quer viver, quer trabalhar, namorar, mudar de emprego. E os jovens tem de perceber e respeitar isso”, pontuou. Quanto à qualidade de vida dessa nova leva de idosos, Molina também – a exemplo de Eduardo Arruda e Rafael Porto – insistiu na importância da adoção de novos hábitos que possam garantir a todos um conforto financeiro nesse momento da vida. “Os jovens tem de pensar nisso imediatamente. Se preparar. Investir parte de suas rendas – não importa onde nem como, isso fica a critério de cada uma – em algo com o que possam contar quando sua capacidade de trabalhar diminuir ou acabar. Isso sem falar nas possibilidades, sempre existentes, de invalidez ou doença”.