Mais gente no SPC do que empregados em empresas

Mais gente no SPC do que empregados em empresas

Dois dados mostram um cenário assustador sobre a vida financeira atual dos moradores do Estado: segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE), no terceiro trimestre do ano passado, o Espírito Santo contava com 671 mil trabalhadores do setor privado com carteira assinada.

Já de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Vitória, em janeiro deste ano havia 698.366 pessoas inadimplentes no Estado. Ou seja, há mais pessoas com o nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) do que empregados formais de empresas. Ainda segundo dados de janeiro da CDL Vitória, são 2.095.099 registros de inadimplência no Espírito Santo, uma média de três inscrições por pessoa inadimplente.

O economista e especialista em Finanças Pessoais Laudeir Frauches lembrou que o País passou por profunda crise econômica nos últimos anos, com o fechamento de milhares de empresas e com desemprego que assola milhões de brasileiros.

“Muitos acham que as pessoas caem na inadimplência porque não foram cuidadosas. Claro que há urgência de a população ter uma educação financeira, mas há inúmeros casos de doenças na família, de desemprego. Muitas pessoas sofreram e ainda sofrem com a crise. Casamentos foram desfeitos por conta da pressão das dívidas”.

Já para o economista Marcelo Loyola Fraga, o consumo é fundamental para a economia se manter aquecida e, por isso, é necessário que sejam feitos esforços para que ele se mantenha em alta, tanto incentivando o crédito responsável, quanto buscando alternativas para a redução da inadimplência.

“Se os consumidores não têm acesso ao crédito, o consumo é adiado e isso faz com que a produção também seja adiada, prejudicando toda a cadeia produtiva”. Segundo Marcelo, os principais interessados em que a população não caia na inadimplência devem ser os consumidores, e isso deve vir por meio de conscientização na escola, na família e do governo.

“Na realidade, a baixa inadimplência deve ser um projeto de nação, pois traz benefícios para todos os setores e crescimento da economia, criando mais empregos e renda.”

Bancos aumentam lucro no País

Ao contrário de boa parte da população, que sofre com a inadimplência, e das empresas, com dificuldades em aumentar a produção, o ano passado representou um período de grandes resultados para bancos que operam no País — principalmente os privados.

O Itaú Unibanco, por exemplo, obteve um lucro líquido de R$ 24,977 bilhões no ano passado.
Segundo levantamento realizado pela empresa de informações financeiras Economatica, foi o maior valor já registrado por um banco com ações negociadas na Bolsa de Valores.

O recorde anterior (R$ 23,965 bilhões, em 2017) já pertencia ao maior banco privado do Brasil, que registra o maior lucro líquido anual entre as instituições financeiras nos últimos cinco anos. O Banco do Brasil foi o último banco do País a lucrar mais que o Itaú Unibanco — R$ 15,758 bilhões, em 2013.

Já o lucro líquido do Santander Brasil em 2018 foi de R$ 12,166 bilhões, 52% maior que o resultado de 2017 — R$ 7,997 bilhões.

Outro que viu seus resultados crescerem bastante foi o Bradesco. No acumulado do ano passado, o banco registrou lucro líquido de R$ 19,085 bilhões, crescimento de 30,19% em relação a 2017. Oitavo maior banco do Brasil, o Banco Safra registrou lucro líquido de R$ 2,145 bilhões em 2018, uma elevação de 12,1% comparando com o ano anterior.

Fonte: Tribuna Online