Especial Mente e Corpo: como os distúrbios do sono prejudicam a qualidade de vida

Especial Mente e Corpo: como os distúrbios do sono prejudicam a qualidade de vida

Deita a cabeça no travesseiro, vira para um lado, para o outro e nada do sono chegar. Quando chega, nem sempre dura muito e aí a novela se repete na madrugada: mais uma vez, vira para um lado, para o outro, Mas quando vê, ele já foi embora de novo e sabe-se lá a que horas vai voltar. Se você passou por isso alguma vez, saiba que não está sozinho, pois essa é a realidade de muitas pessoas.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 40% da população apresentam algum tipo de distúrbio do sono e, consequentemente, sentem dificuldade para dormir. Entre eles, o mais comum é a insônia, que prejudica o sono de pelo menos 73 milhões de brasileiros, segundo estimativas da Associação Brasileira do Sono (ABN).

Durante um dia cansativo, o que a maioria espera é chegar em casa para poder relaxar. No entanto, o estresse causado pela rotina diária, os problemas no trabalho, em casa ou com os estudos podem interferir e o momento que deveria ser tranquilo, acaba se tornando uma dor de cabeça e provocando ainda mais cansaço.

Para a médica neurologista e professora da Multivix, Soo Yang, a insônia está ligada diretamente ao estilo de vida acelerado da sociedade e da constante excitação do cérebro. Por isso, é tão difícil ‘desligar o botão’ para o corpo ter o tempo de se recompor através do sono.

“A insônia é um dos grandes males da vida moderna porque a vida está muito acelerada e temos muitas coisas que excitam o cérebro, como a internet, o computador, o celular, a televisão. O ideal é que não se entre muito em rede social e em TV com filmes agitados, porque isso acaba atrapalhando o processo de relaxamento. Inclusive, as crianças também têm problemas para dormir justamente por conta desses estímulos. A insônia pode levar a doenças físicas como diabetes, hipertensão arterial, pode favorecer doenças psiquiátricas como depressão e síndrome do pânico, além de diminuir a imunidade emocional. Quando você sofre de insônia crônica, você está mais suscetível a doenças, principalmente o câncer. Então é muito importante um sono de boa qualidade.”

A professora da Multivix destaca ainda que a privação do sono é um risco para a saúde e pode favorecer o surgimento de doenças graves, inclusive as cardiovasculares, apontadas como a principal causa de mortes no mundo,  atingem mais de 380 mil pessoas. Segundo ela, é justamente durante o sono que o corpo consegue repor os hormônios.

A médica especialista em Medicina do Sono, Jéssica Polese, reforça que é importante levar em consideração dois pontos: a qualidade e a quantidade do sono, que varia de acordo com a faixa etária de cada pessoa. Ela enfatiza também a necessidade de “aproveitar o sono, para aproveitar a vida”

“É no sono que você descansa e se encontra disposto no outro dia para as atividades. É muito importante que ele seja de qualidade e que tenha uma quantidade adequada. Na qualidade, os distúrbios do sono atrapalham, fazendo com que você durma mal. Dormir bem é ter uma vida boa. As pessoas tem esse lance de “aproveite a vida”, mas eu costumo falar que tem que aproveitar, na verdade, o sono, senão no fim das contas não aproveita a vida. Sem um bom sono, tudo vai mal.”

As dificuldades para dormir são preocupantes e merecem atenção e cuidado em todas as etapas da vida, principalmente na terceira idade. O médico geriatra e diretor de Medicina Preventiva da MedSênior, Roni Chaim Mukamal, explica que os distúrbios de sono são frequentes entre os idosos e, muitas vezes, podem indicar doenças. 

“O sono é um fator importante para o nosso envelhecimento. Apesar de saber que o idoso geralmente dorme menos que o adulto, os distúrbios de sono são muito mais frequentes na população idosa. Muitas vezes, podem indicar algum sintoma ou algum distúrbio de alguma doença subjacente que esteja começando ou já esteja instalada. Todo indivíduo com insônia, com alteração do sono ou hipersonia que é a questão de dormir muito, quando vem ao geriatria precisa ser amplamente investigado para algumas questões que podem estar associadas com algumas doenças orgânicas.” 

PARALISIA DO SONO: PÂNICO E ANGUSTIA

“Eu acordo com os membros paralisados e só consigo mexer os olhos. Tento gritar por socorro, tento me mexer, mas não consigo. Me dá falta de ar devido ao medo. É tão assustadora que eu comecei a dormir de luz acesa ” 

O relato acima é da psicóloga clínica Gabriela Meirelles, de 25 anos. Desde os 16, ela sofre com paralisias do sono durante a noite, distúrbio caracterizado pela perda temporária da função muscular durante o sono. Enquanto o corpo está paralisado, impedido de se mover, a mente está acordada e a sensação é de estar preso ao próprio corpo. É isso que causa pânico e angústia.

“Eu já sofria de paralisia do sono desde os 16 anos de idade. Porém, no meio do ano passado elas começaram a aumentar e agora tenho de dois a três episódios de paralisia por noite. Isso começou a me assuntar bastante porque além da paralisia, comecei a ter alucinação auditiva. Procurei um neurologista, ele me indicou melatonina para induzir o sono e amenizar, mas não melhorou. Por ser psicóloga, durante os episódios eu tento manter a calma e fazer a técnica de puxar o estímulo para uma parte do corpo. Faço com o dedinho do pé e costuma dar certo”, conta. 

Do ponto de vista profissional, ela explica que o sono tem quatro fases e a paralisia acontece na última etapa, chamada da REM (Rapid Eye Movement) ou “movimento rápido dos olhos”. 

“A primeira fase é a do início, quando estamos começando a adormecer. Na fase 2, costumamos chamar de sono leve, quando o corpo já está relaxado e dormindo, mas a mente ainda encontra-se atenta, por isso que qualquer barulho pode nos acordar. Na fase 3, o corpo está totalmente relaxado, no sono profundo, a mente desliga e não ocorre sonhos. A paralisia do sono ocorre na fase do sono REM, que é a última etapa. Os olhos se movimentam rapidamente, os batimentos podem acelerar e aí sonhamos. Quando você acordar durante essa fase, é mais suscetível que apresente a paralisia”, explica. 

DORMIR MAL PODE PREJUDICAR A APARÊNCIA

Além de causar problemas na saúde, a privação do sono pode acarretar também em danos à aparência. O mais comum é o surgimento de olheiras, as típicas manchas escuras em volta dos olhos que deixam o rosto com um aspecto cansado e ‘denunciam’ uma noite mal dormida. 

Mas, assim como a qualidade do sono pode ser melhorada com tratamentos, as manchas também podem ser amenizadas com procedimentos estéticos. A biomédica esteta da Estética Patrícia Prezotti, Giselly Teixeira, explica que uma das opções é o preenchimento com ácido hialurônico e laser CO2. 

“O ácido hialurônico vai amenizar muito essa profundidade causada pelas olheiras. O CO2 vai estimular os vasos sanguíneos que ficam naquela região. Nós trabalhamos com resultado, então a olheira é feita de acordo com cada resposta. Fizemos em uma sessão, esperamos 10 dias para ver o resultado, depois preenche mais um pouco. Por ser uma área bem sensível, tem uma quantidade a ser aplicada em cada procedimento.”

MEDICAMENTOS MANIPULADOS PARA MELHORAR O SONO

Os medicamentos manipulados são uma boa alternativa para quem deseja dormir melhor e se prevenir de problemas causados pelos distúrbios do sono. A atual presidente da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) no Espírito Santo e Conselheira do Conselho Regional de Farmácia do Estado, Denise Martins Oliveira, destaca que um dos diferenciais da manipulação é a possibilidade de ajustar a dose de acordo com a necessidade de cada paciente. 

“A manipulação farmacêutica pode contribuir muito já que possibilita a adequação total de seu medicamento ao perfil do paciente. Colocamos à disposição dos médicos diversos medicamentos, como por exemplo os ansiolíticos que são conhecidamente utilizados. Também disponibilizamos, sob prescrição médica, a melatonina, que vem se destacando como ótima alternativa para casos em que a pessoa não possui um sono tranquilo. Fitoterápicos como camomila e valeriana também podem contribuir para a qualidade do sono.”

Fonte: Folha Vitória