Equilíbrio entre maternidade e carreira domina bate-papo em evento da OABPrev

Equilíbrio entre maternidade e carreira domina bate-papo em evento da OABPrev

A difícil arte de equilibrar maternidade e vida profissional, em um mundo no qual a mulher ainda é discriminada mas, paradoxalmente, segue conquistando cada vez mais espaços foi o tema do bate-papo realizado na manhã desta sexta-feira (17), no auditório da sede da Subseção da OAB de Aparecida de Goiânia. Intitulado “Mães de Sucesso”, o evento integra a programação comemorativa do aniversário de 13 anos de OABPrev GO/TO e contou com relatos pessoais da presidente da entidade, Keila Cristina, da ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Delaíde Miranda Arantes; da advogada e presidente da Comissão da Mulher Advogada daquela Subseção, Fernanda Pereira; e das empresárias Marina Zuppani e Leila Oda, a primeira, sócia da Zuppani Industrial, especializada em produtos de limpeza e conservação; e segunda, sócia-fundadora da Terra Madre, especializada em produtos alimentícios orgânicos.


O bate-papo foi precedido de um café da manhã que contou, ainda com exposição de produtos de maquiagem, entre outros. A abertura do evento ficou a cargo do anfitrião, presidente da Subseção de Aparecida de Goiânia, Francisco Sena, que parabenizou a OABPrev pela iniciativa e pelos bem-sucedidos 13 anos de atuação. Primeira a falar sobre a experiência de ser mãe e profissional, a ministra Delaíde Miranda apresentou trecho de uma reportagem realizada sobre ela pelo programa Globo Reporter, da Rede Globo, a qual relata a trajetória dela, que, filha de uma família de origem humilde da cidade goiana de Pontalina, conseguiu driblar o destino e, tendo começado a vida como empregada doméstica, alçou um dos postos mais importantes do Poder Judiciário brasileiro.


“Não foi fácil e continua não sendo. Não sou juíza de carreira, venho do quinto constitucional (a vaga nos tribunais destinadas a advogados), que por si já é uma minoria discriminada. Fora isso, sou mulher. Então, busco estudar, me atualizar constantemente, para mostrar que mereço e tenho plenas condições de estar onde estou”, falou.


A ministra teve duas filhas, do primeiro casamento, Patrícia e Lorena. Segundo ela, a filha mais velha, Patrícia, nasceu quando a hoje ministra estava na faculdade. Quando a mais nova completou 5 anos, Delaíde se divorciou e a partir de então, já advogando, passou a vivenciar diariamente a busca pelo equilíbrio entre ser mãe solteira e buscar seu lugar ao sol no mercado de trabalho. “Eu corria sem parar, trabalhava muito e não conseguia estar tão presente quando deveria e gostaria. Mas assim é a vida para a mulher que quer se realizar profissionalmente. Estou em paz com isso e sei que minhas filhas se orgulham de ter a mãe que tem”, comentou.
Keila Cristina, que além de presidir a OABPrev é advogada atuante, contou em seu relato que seu filho já chegou a verbalizar que ela só pensa em trabalho. A presidente da entidade, contudo, não sente culpa. “Tenho convicção de que estou dando um bom exemplo. O exemplo de alguém que vai atrás do que quer, que trabalha para ter o que tem, porque assim é a vida”, pontuou. Para Keila, o segredo para conseguir vivenciar essa dupla jornada é o equilíbrio e o planejamento. “Precisamos trabalhar, sim, e com afinco, mas não perder o foco de que temos filhos e que eles dependem de nós não apenas financeiramente, mas emocionalmente também.

Precisamos batalhar para estarmos presentes tanto quanto pudermos mas, também, entendermos que somos gente como todo mundo: além de mães, somos mulheres, somos um todo com várias necessidades e precisamos estar completas. Estando completas e felizes, faremos filhos felizes”.

As empresárias Leila Oda e Marina Zuppani também contaram suas experiências, sendo ambas muito diferentes: depois de ter os filhos já crescidos, Leila, juntamente com um filho, abriu a empresa Terra Madre, que em pouco mais de 5 anos de existência se expandiu a ponto de ter hoje filiais em 7 estados do País; já Marina nasceu em uma família já abastada, o que no entanto não a impede de sofrer com a culpa de não estar presente com os dois filhos tanto quanto gostaria. “Trabalho muito. Uma empresa exige muito de quem participa de sua gestão. Tenho consciência de que não fico com meus filhos tanto quanto eles gostariam e isso me dói, me machuca. Mas ao mesmo tempo, sinto que preciso ser inteira, vivenciar todos os meus lados: o de mãe, o de mulher, de empresária, de ser social, de amiga. É difícil, dá muito sentimento de culpa, mas é preciso seguir adiante. Essa sou eu”.


Última a falar, Fernanda Pereira contou que engravidou da filha, hoje com pouco menos de 2 anos de idade, justamente no momento em que estava se separando. Mesmo assim, levou a gravidez, sozinha, adiante, e trabalhando incessantemente. “Me lembro que era uma sexta-feira e eu estava no escritório. A tarde fui na manicure o no dia seguinte minha filha nasceu. Me lembro ainda que ainda estava na maternidade e o telefone não parava de tocar com clientes atrás de mim, querendo tirar dúvidas, sobre do andamento de processos”, contou.


Fernanda chegou a participar de uma audiência judicial quando sua pequena estava com um mês de vida. “A vida da mulher tem essa peculiaridade. Se quisermos ter nosso lugar no mercado de trabalho, temos de aceitar que vamos ter de driblar carreira e filhos e eu faço isso da melhor forma, dentro do possível, tentando não me culpar muito – embora isso seja inevitável – mas buscando plenitude. Muito penoso, mas vale a pena”.