Envelhecendo com autonomia

Envelhecendo com autonomia

A expectativa de vida dos brasileiros vem crescendo, a cada pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas chegar à velhice não deve significar partir para o repouso. Essa boa notícia abre a oportunidade de aliar a experiência e sabedoria adquiridas na vida com a continuidade das atividades rotineiras e até mesmo de novas práticas.

Diante desse cenário, é importante que cuidadores de idosos familiares ou profissionais saibam lidar de forma equilibrada com as necessidades e limitações naturais dos idosos sem, contudo, tirar deles as potencialidades e a autonomia tão importantes para que essa fase seja vivida com significado, qualidade de vida e bem-estar.

Agir assim requer o esforço de desfazer vários mitos ligados aos idosos, como o de que se deve fazer tudo por eles. Alguns profissionais da equipe multidisciplinar da Jequitibá Residência Assistida, casa especializada na hospedagem e nos cuidados com idosos, dão algumas dicas. Confira:

Valorize as habilidades

Segundo a terapeuta ocupacional Paula Pozzi, é preciso permitir que os idosos vivenciem suas atividades diárias e desejos, para se manterem com o máximo de autonomia e independência. “Certas tarefas, como se alimentar, se vestir, tomar banho, dobrar roupas, sair do carro e até lavar algumas louças são importantes para que o idoso continue se sentindo útil e treinando habilidades motoras. Eles precisam de estímulos para manterem seus corpos e mentes ativos e saudáveis. Do contrário, desaprendem e perdem a motivação e a capacidade de realização, apresentando queda na qualidade de vida. Cabe ao acompanhante mostrar confiança nele e dar suporte para que execute as ações com segurança”.

Incentive a expressão

Para a psicóloga Tatiana Pimentel, o mais saudável a se fazer é encarar as transformações e mostrar que o envelhecimento tem suas limitações, mas também novas descobertas, possibilidades e muito o que compartilhar. “Minha dica é criar momentos, como temos na Jequitibá, para refletir sobre temas como o processo de envelhecimento, a convivência e as relações interpessoais. Ter um espaço de expressão de sentimentos, angústias, medos e superações é muito importante para todos, inclusive para o idoso. Aqui utilizo dinâmicas e atividades grupais para proporcionar e incentivar essas reflexões. Mas em casa cada cuidador familiar ou profissional também pode se dispor a agir nesse sentido”.

Propicie o resgate de práticas

Um dos grandes dilemas vividos por idosos é o natural encerramento de suas carreiras profissionais, especialmente quando essa fase da vida não foi bem planejada e assimilada. A dica do psicólogo Gustavo Souza é procurar alternativas para que eles desenvolvam novas habilidades ou resgatem antigas práticas, mantendo-se ativos. Nesse aspecto, muitos optam por dar palestras ou integram-se a uma entidade. Melhor ainda é pensar desde jovem o que poderá estar ao seu alcance de executar quando mais velho. “Quanto maior a diversificação das atividades, maiores serão as possibilidades de engajamento na velhice. Nesse sentido, se a vida se resume ao trabalho e a vida doméstica, procure inserir outras propostas na rotina”.

Exercitar-se é importante

A relação entre exercício físico e qualidade de vida é intrínseca. Praticar atividades, mesmo que de forma moderada, com um alongamento, por exemplo, é determinante para que o idoso amplie sua capacidade de equilibrar-se, realizar tarefas, minimizar riscos de lesões, melhorar a saúde mental e aumentar a longevidade, além de prevenir doenças cardíacas e vasculares, osteoporose, depressão, entre outras. Segundo a educadora física Brunna Barbati, para alcançar os inúmeros benefícios trazidos pela prática, é preciso respeitar as características, os objetivos e as limitações de cada pessoa. “O ideal é que o idoso se movimente de 3 a 4 vezes por semana, intercalando exercícios aeróbicos e de fortalecimento como a musculação”.

Opção humana para a velhice

Empreendimentos do tipo centro-dia para idosos têm ganhado cada vez mais espaço no Brasil. O motivo é a possibilidade de proporcionar aos mais velhos um ambiente de convivência e socialização e ao mesmo tempo preservar a convivência familiar. Nesses locais, ao longo do dia, os idosos desenvolvem atividades para exercitar a memória, a criatividade e a habilidade motora conduzidas por profissionais especializados, como enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, terapeutas e cuidadores.

“Muito além de cuidar da medicação e da alimentação correta, os benefícios estão no incentivo, no resgate e na manutenção da vida social do idoso, ressignificando a vida para o bem envelhecer, propiciando assim uma longevidade mais ativa e saudável”, finaliza a empreendedora Ana Carolina Dalla Bernardina.

 

Fonte: ES Hoje