Cinco dicas para não entrar o ano novo no vermelho

Cinco dicas para não entrar o ano novo no vermelho

O cenário econômico do País segue deixando as pessoas em alerta quando o assunto é inadimplência e gastos excessivos. Pesquisa feita nos nove primeiros meses do ano indica que a cada cem CPFs, 24 estão negativados em Santa Cruz do Sul. O número, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), aponta aumento de 3% na inclusão de nomes no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) se comparado ao mesmo período do ano passado.

O índice de exclusões do sistema também diminuiu. Conforme o diretor do SPC da CDL, Adilson Schünke, enquanto 7.049 pessoas tiveram condições de tirar seus cadastros do sistema em 2017, apenas 6.264 conseguiram limpar o nome este ano. Por outro lado, 8.710 CPFs ficaram comprometidos frente a 11.758 no ano passado. “Entre os fatos que explicam esses dados controversos está a redução das compras de crediário, que vêm sendo substituídas pelo cartão de crédito.” Schünke acrescenta que os inadimplentes de Santa Cruz contraem dívidas junto a bancos e financeiras, comércio e, por fim, com empresas prestadoras de serviços básicos.

O educador financeiro pela DSOP Educação Financeira, Francisco Teloeken, observa que as dívidas apresentam influência direta na saúde mental e física das pessoas. “A pessoa inadimplente não dorme direito, começa a ter problemas no trabalho e na família.”

Conforme o especialista, para corrigir o endividamento é preciso colocar em prática a educação financeira, processo que, segundo ele, não se limita somente em fazer orçamentos e pesquisar preços, mas também em mudar o comportamento. “Muitos problemas financeiros ocorrem porque as pessoas repetem hábitos prejudiciais quando se trata de dinheiro, como não elaborar e acompanhar o orçamento, comprar por impulso e não definir objetivos financeiros. Enquanto esse cenário não mudar, os erros vão se repetir.”

Hoje, no País, até 40% da população com idade superior a 18 anos – 62 milhões de brasileiros – está com o CPF restrito. Nesse contexto, o consultor e professor de economia da PUC-RS, Alfredo Meneghetti Neto, afirma que um dos indicadores para verificar que a saúde financeira do cidadão vai mal é a inexistência de dinheiro na poupança. “Isso indica que a pessoa é impulsiva, gasta mais do que recebe e não tem condições de guardar dinheiro.”

Como agir

Com o auxílio do educador financeiro Francisco Teloeken e do professor Alfredo Meneghetti, a Gazeta montou um guia para ajudar você a se reorganizar financeiramente e sair – ou não entrar – no vermelho na virada do ano:

Faça o levantamento das suas dívidas

A primeira medida para não começar o ano no vermelho é fazer o levantamento de todo o dinheiro que você deve e, posteriormente, verificar quais recursos positivos estão para entrar na conta. Um exemplo é o 13º salário. “Procure os credores e, com esse dinheiro, negocie descontos. Priorize também o pagamento de contas vencidas que são essenciais, como luz e água, cujo corte pode prejudicar a família”, aconselha Teloeken.

Tente negociar com familiares

O professor de economia Alfredo Meneghetti sugere que a pessoa endividada tente negociar um empréstimo com familiares antes de recorrer aos bancos. “Ela pode sugerir uma taxa equivalente à conta poupança, de 0,5% ao mês. Sem dúvidas, é melhor do que arcar com a taxa de juro dos bancos.”

Fale de finanças com os filhos

É importante que os pais levem o assunto finanças para dentro de casa.  “Se a criança ou adolescente já tem maturidade suficiente para entender essas questões, é fundamental que os pais dialoguem sobre a situação financeira para que recebam o acolhimento dos filhos. Isso é jogar com o futuro e preparar os jovens para que mudem seus hábitos também”, explica Meneghetti. “Deixe claro que essa diminuição do padrão de vida pode ser por um período de tempo, até a situação estar resolvida”, complementa Teloeken.

Mantenha o controle nas compras de Natal

Anote, pelos próximos 30 dias, qualquer desembolso e, ao fim desse período, analise para onde está indo esse dinheiro. Conforme Francisco Teloeken, depois dessa constatação, a pessoa pode fazer alguns ajustes e remanejos, como a redução ou a eliminação de desperdícios ou despesas supérfluas. “Nesse momento é possível saber quanto vai sobrar para as despesas de fim de ano.” Aí é hora de relacionar quem queremos presentear e definir um valor para cada um. É obrigatório que a soma total caiba no orçamento.

Segure as viagens

Quando se está inadimplente é importante cortar as viagens de fim de ano. “Sabemos que em viagens geralmente gasta-se mais do que o previsto. São lembrancinhas, passeios extras, etc.” Para não deixar de aproveitar o período de folga, o educador financeiro aconselha que a saída é se deslocar a lugares mais próximos e visitar algum parente que não vê há tempo. “Aproveite esse período também para passear pela cidade, reunir-se com familiares e amigos. Evite gastar o que não tem.”

Dívida boa x inadimplência

O educador financeiro Francisco Teloeken, da DSOP, acrescenta que dívidas não são um problema se contraídas para comprar bens de maior valor, como um eletrodoméstico, uma moto, um carro ou uma casa. “Essas são consideradas dívidas boas, afinal, como o brasileiro ainda poupa pouco, é a única maneira de adquirir um bem mais expressivo.” É justamente por isso que estar endividado é diferente de estar inadimplente. “O endividado, às vezes a duras penas, consegue pagar suas prestações. O inadimplente, não mais: ele quebrou.”

Os vilões

  • Facilidade para comprar.
  • Pequenas despesas que passam despercebidas.
  • Compras por impulso.
  • Juros altos na utilização do cheque especial ou na fatura do cartão de crédito parcelada.

Fonte: GAZ