Nunca é tarde para se pensar na aposentadoria

Nunca é tarde para se pensar na aposentadoria

Com a insegurança em relação à previdência pública e o aumento da expectativa de vida, cada vez mais as pessoas estão optando pela previdência privada como forma de complementar a renda quando chegar a velhice. Hoje, grande parte de quem busca pelo serviço são profissionais liberais ou membros de classes economicamente mais altas, mas os planos cabem em qualquer bolso e fica a cargo do cliente decidir o quanto será investido por mês.  O mínimo é de R$ 50 e o investidor tem liberdade de sair quando quiser.

Segundo o gestor comercial de negócios da Unicred, Luis Antônio Menegazzo, a procura pela previdência privada cresce de 18% a 20% ao ano na cooperativa. Normalmente, os clientes estão em busca de manter os rendimentos mensais, já que hoje, o teto de aposentadoria pelo INSS é de R$ 5.600. “Nada impede que um governo qualquer altere esse teto para menos. Por isso, uma pessoa com capacidade produtiva deve se precaver agora. Vamos supor que uma pessoa de 30, 35 anos deixe pra se preocupar daqui 20, 30 anos. E se esse teto diminuir pela metade? Ele não vai ter mais tempo produtivo de fazer uma previdência privada complementar”, disse.

Não há uma idade mínima ou máxima para procurar pelo serviço, de acordo com Luis Antônio. Há pais que já fazem previdência privada para filhos recém-nascidos e outras pessoas, próximas de aposentar, mas em fase produtiva ou com reserva em dinheiro, que também investem. “É recomendado fazer o mais rápido possível. Uma pessoa na faixa de 40, 45 anos já devia estar com seu plano em andamento. Hoje, aumentou a expectativa de vida e a faixa produtiva porque pessoas não estão se aposentando tão cedo com 55, 65 anos. Mas a previdência privada não é só boa pela questão da aposentadoria, tem incentivo fiscal, traz estabilidade econômica e é uma forma de poupança, porque no meio do caminho, você pode lançar mão desse dinheiro”, disse o gestor comercial.

Em uma simulação feita a pedido do Diário de Uberlândia, Luis Antônio disse que uma pessoa de 30 anos que investe, por exemplo, R$ 50 por mês até os 65 anos, pode, no fim desse período, resgatar cerca de R$ 75 mil ou receber mensalmente, até o fim da vida, um valor estimado de R$ 750. “Ele pode definir, no fim da contribuição, pegar todo dinheiro. Mas se optou por aposentar, pode pegar por mês em um prazo definido ou vitalício. Aí, é estimado um tempo médio de expectativa de vida e é feito o cálculo”, afirmou.

O investidor pode ainda fazer um aporte durante a vigência do plano contratado, que são aplicações maiores feitas a qualquer momento. O importante, segundo Luis Antônio, é que o interessado busque bastante orientação antes de fechar o pacote. “Pessoas que não querem deixar o dinheiro guardado muito tempo, por exemplo, podem buscar outros investimentos mais atrativos do que a previdência privada. Por isso, tem que se informar muito e pensar a longo prazo. Não é uma cultura que o brasileiro tenha muito. Um plano de aposentadoria é uma maratona, é um longo percurso, não é uma corridinha de 100 metros”, disse o  consultor.

INVESTIDOR 

O servidor público federal Leandro Moreira Souto, de 35 anos, tem previdência privada há 12 anos, desde quando ainda trabalhava para uma empresa de agronegócio, onde ficou por 4 anos. Devido ao momento conturbado que o Brasil passa, ele decidiu continuar investindo, já de olho em uma aposentadoria mais tranquila.  “Tenho perspectiva de subir na carreira e com o teto salarial do INSS inferior ao meu salário, podendo diminuir ainda mais, acredito que a previdência privada seja uma grande vantagem de planejar o futuro, sem depender 100% da previdência pública”, afirmou.

De acordo com Leandro, o maior cuidado que deve ser tomado é em relação às taxas, porque se forem muito altas, acabam inviabilizando o rendimento. Mas como a procura pelo plano de previdência privada está em alta e a concorrência aumentou, muitas empresas estão oferecendo opções cada vez mais atrativas desses tributos. “Se a pessoa olhar um bom plano, com taxas que não comam todo seu rendimento, o restante é só vantagem. Além do complemento na aposentadoria, o valor pode ser deduzido no imposto de renda, traz beneficio fiscal, e se a pessoa quer facilitar a transmissão de um patrimônio, no caso de óbito, a previdência não entra em inventário. A grande dica é estudar ou procurar alguém que conheça. É investimento seguro, não é complexo e faz todo sentido. Vai ser dinheiro que vai complementar para velhice, uma época onde se perde renda e ganha despesas’”, afirmou o servidor público.

 

Fonte: Diário de Uberlândia