Nova modalidade de crédito baixa juros quase à metade no financiamento de imóveis

Nova modalidade de crédito baixa juros quase à metade no financiamento de imóveis

Está mais acessível financiar imóveis de médio porte, com valores acima das linhas de crédito subsidiadas pelo governo federal. Lançada no fim de agosto pela Caixa Econômica Federal, uma nova modalidade reduz em até 43,68% o valor da prestação ao corrigir o saldo devedor com um dos parâmetros que medem a inflação. O financiamento habitacional com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é visto como um motor para aquecer a venda de empreendimentos e alavancar a construção civil.

Na prática, a partir dessa mudança, os juros exigidos pelo banco acabam sendo menores. Antes da entrada dessa linha de crédito, os financiamentos que utilizavam a Taxa Referencial (TR) acrescida de determinado índice tinham um custo de crédito mais elevado. Segundo a Caixa, a taxa de juros no financiamento que utiliza a TR pode chegar a 9,75%. Já com a nova regra, o máximo aplicado é de 4,95%.

Gazeta do Sul simulou a compra de um imóvel novo, no valor de R$ 300 mil. Segundo o site da Caixa, utilizando a tabela do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que geralmente é empregado nesses casos, o custo da parcela inicial, em um financiamento de 30 anos, é de R$ 2.408,38. Quando a simulação é realizada com a correção pelo IPCA, o valor inicial da prestação de um imóvel novo, também financiado em 30 anos, cai para R$ 1.676,14. A redução no custo da parcela, na comparação entre os dois sistemas, é de 43,68%.

O crédito corrigido pelo IPCA tem as mesmas regras das demais linhas habitacionais da Caixa. O valor máximo financiado é de 80% do custo do imóvel. Já o prazo e as taxas de juros variam, segundo o relacionamento do cliente com o banco. Quem é correntista da Caixa ou utiliza produtos como seguros e previdência privada, por exemplo, consegue reduzir ainda mais o custo do financiamento. A correção pelo IPCA entrou em vigor no fim do mês de agosto e só é válida para novos contratos que optarem pelo índice, a partir de 26 de agosto deste ano. Contratos anteriores seguem as regras que foram utilizadas como parâmetro na época da assinatura.

A correção pelo IPCA é uma entre as diversas modalidades de crédito habitacional oferecidas pelo sistema de financiamento da Caixa. Ela é destinada a imóveis com valores maiores, acima do limite alcançado pelo programa Minha Casa Minha Vida, que tem teto de financiamento de R$ 170 mil.

Mercado imobiliário já registra aquecimento em Santa Cruz

De acordo com o tesoureiro da Sociedade das Empresas Imobiliárias de Santa Cruz do Sul (Seisc), o corretor de imóveis Ricardo Bartz, desde que entrou em vigor, no fim do mês passado, a nova linha de crédito habitacional trouxe de volta o apetite ao investidor. “Já estamos sentindo o resultado. A venda de imóveis só não está maior ainda porque o consumidor tem dúvidas quanto à economia”, explica.

Bartz esclarece que o segmento não chegou a ficar “paralisado” nos últimos anos. No entanto, não lembra em nada o início da década, com o advento dos financiamentos pelo Minha Casa Minha Vida. “Existe uma demanda de compra para imóveis maiores. O consumidor santa-cruzense está em busca de residências com mais de um dormitório, espaço e acabamento diferenciado”, conta o tesoureiro da Seisc.

O diretor comercial da Cigha Construtora, Fagner Schwengber, analisa que o mercado da construção projeta uma reação a partir da mudança proposta pelo financiamento com uso da correção pelo IPCA, por conta do acesso que a linha de crédito oferece. “Quem compra imóveis com valores maiores geralmente já está adquirindo o segundo imóvel. Busca conforto, localização e acabamento diferenciados”, destaca. Segundo ele, a tendência é de um aumento nas vendas e até no surgimento de novos empreendimentos focados no consumidor que tem possibilidade de adquirir uma casa com valor maior.