Incertezas na economia favorecem alta do dólar

Incertezas na economia favorecem alta do dólar

Quem pensou em fazer alguma transação com a moeda norte-americana nos últimos dias pode ter sido tentado a deixá-la para mais tarde. Na última terça-feira, o dólar comercial atingiu a maior cotação do ano, vendido a R$ 4,19. A disparada fez com que o Banco Central intervisse, vendendo dólares no mercado à vista – e o excedente provocou a queda da moeda para não tão confortáveis R$ 4,16. Ontem, a moeda recuou levemente, fechando o dia  R$ 4,15.

E nós estamos falando do dólar comercial. Se você for um turista e quiser levar dinheiro vivo para o exterior pagará ainda mais caro – já que o turista arca com custos que vão desde a impressão da moeda, seu transporte até o Brasil e a manutenção da casa de câmbio, por exemplo. Ontem, o dólar turismo custava R$ 4,32.

E a tendência, segundo economistas, é que a moeda americana siga custando muitos reais por algum tempo. Pelo menos, acima dos R$ 4. Isso porque o cenário político e econômico interno e, principalmente, externo, tem favorecido a corrida por dólares no mundo todo.

“Entre os principais estão a guerra comercial entre EUA e China. Eles estão tentando se ferir com taxações, mas ambas economias, que são as maiores do mundo, se prejudicam. A China é nosso maior comprador externo. Se a economia chinesa não cresce, eles compram menos minérios de ferro do Brasil, por exemplo. É uma reação em cadeia”, explica o financista Fabrízio Gueratto do Canal 1Bilhão Educação Financeira.

O temor de uma recessão global fez as maiores economias mundiais baixarem as taxas de juros para tentar reaquecer a economia. O Brasil mesmo reduziu a taxa Selic para 6% em julho. Só que em economias emergentes, como a nossa, é o juro alto que atrai investidores de fora.

Segundo Gueratto, muitos deles pegam dinheiro a juros baixos em outros países e aplicam em países como o Brasil, para obter retorno mais rápido. Com a Selic em queda, esse capital estrangeiro – em dólar – vai embora. E a moeda fica mais cara.

“E toda a vez que dá um pânico no mundo, o dinheiro corre para títulos seguros e os títulos seguros são os americanos. Então, todos esses fatores, influem para o dólar ficar cada vez mais forte”, explica.

Como uma solução para esse cenário global ainda não tem uma solução à vista, esse cenário deve se manter em curto prazo. Em médio prazo, nem o mercado sabe.

“O mercado cria uma expectativa baseado no que já experimentou, mas certeza sobre o futuro ninguém tem. Vários economistas estão prevendo uma desaceleração global, mas na dá para saber se vai ser uma marola ou um tsunami”, comenta Gueratto.

Investimentos

Na avaliação do economista Fernando Bergallo, mesmo com a crise mundial a tendência é de melhora no cenário doméstico, se o governo conseguir concretizar as ações que propõe na área econômica. Ele crê que o momento é propício para quem quer se desfazer de dólares e investir no Brasil.

“Temos mais espaço para o dólar cair do que para subir. Além disso, temos lugar para investir na Bolsa, que está barata em real e mais barata ainda na moeda americana”, aconselha.

Fonte: Destak