Cenário é propício para renegociação de dívidas; confira dicas

Cenário é propício para renegociação de dívidas; confira dicas

Com o fim do Carnaval, chega a hora de voltar à rotina e encarar os problemas da vida adulta. Quem tinha deixado as pendências financeiras para depois da folia, a hora de acertar é agora: de acordo com especialistas, o momento é interessante para quem está negativado pelos órgãos de proteção ao crédito e quer se livrar definitivamente da inadimplência – mas antes de sentar frente a frente com o credor, é preciso estar preparado para fazer a melhor negociação possível.

De acordo com os órgãos de defesa do consumidor, é comum que o devedor se sinta em desvantagem diante da situação. “Ele fica hipervulnerável. A inadimplência ocorre, muitas vezes, porque ele perdeu o emprego ou porque se deparou com uma doença grave na família”, pontua a diretora institucional do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon Fortaleza), Cláudia Santos.

Ela destaca que é fundamental que o devedor tenha ciência de seus direitos e deveres.”O consumidor tem que saber que ele tem direito de renegociar a dívida. Ele não pode ser importante para a empresa somente na hora de contratar um serviço, mas também na hora da inadimplência”, diz a porta-voz do Procon Fortaleza.

Entre esses direitos, a diretora frisa que o consumidor inadimplente ou com dívidas em atraso não pode ser constrangido pelo credor. “A empresa não pode expor o consumidor com aquelas ligações inconvenientes para o trabalho e para vizinhos em tom de ameaça. Isso é passível até de detenção”, alerta.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Jusivaldo Almeida, orienta que o devedor tenha consciência do débito antes de negociar com o credor. É um direito do consumidor solicitar à empresa uma espécie de espelho da dívida, com um detalhamento da composição da dívida.

Na avaliação dele, o devedor deve estar atento, munido de todas as informações sobre o débito, de suas finanças e, na medida do possível, buscar ter controle emocional. “Se o devedor não sabe exatamente o tamanho da sua dívida, todas as fichas ficam na mão do credor. O consumidor deve chegar na negociação com honestidade, sabendo o quanto ele pode pagar por mês e por quanto tempo”, explica.

Para o especialista, identificar o tamanho da dívida é o primeiro passo para renegociá-la. Em seguida, o consumidor deve olhar com cuidado para as contas do lar. “É preciso que o devedor faça urgentemente uma fotografia de todas as despesas e receitas, porque só assim ele saberá quanto sobrará do orçamento familiar mensal para renegociar e vai poder cortar o que não é essencial”, detalha Almeida.

Ainda conforme o vice-presidente da Abefin, uma das dicas mais importantes nestes momentos é a de não ceder às pressões do credor.”Se o devedor cede na primeira pressão, na primeira cobrança, a probabilidade de ele estar fechando um mau negócio, com juros abusivos, é muito grande”, analisa o vice-presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Jusivaldo Almeida 

“Às vezes, é possível chegar a, pelo menos, umas três novas propostas com juros mais justos”.

Juros

O advogado Otávio Pinheiro, especialista na área de cobrança, acredita que uma postura defensiva do devedor só piora a situação. “Dia após dia, a incidência de juros acaba fazendo com que aquele montante cresça”, diz. Na avaliação dele, o momento é muito bom para firmar acordos de renegociação.”Muitas empresas estão interessadas em receber os débitos pendentes, o que amplia as possibilidades de negociação”, destaca o advogado Otávio Pinheiro

Ele acrescenta que o consumidor deve também preparar propostas honestas para apresentar ao buscar renegociar uma dívida. “O credor quer propostas concretas. Então essa franqueza, na maioria das vezes, facilita. E, claro, as propostas devem estar de acordo com o orçamento do consumidor”, explica.

“Em 80% dos casos nos quais o consumidor toma essa postura, a renegociação é positiva para as duas partes”, arremata o advogado.

Ao ficar inadimplente, o consumidor tende a adotar uma postura ainda mais nociva para as próprias finanças. Ter ciência dos direitos e deveres diante dessa situação é fundamental para “limpar o nome”.

Orientação evita que o consumidor vire reincidente

Ter consciência do tamanho da dívida e da parcela do orçamento que terá disponível para renegociar a dívida é fundamental para que o consumidor não se veja em pouco tempo diante de uma nova bola de neve. Na avaliação da secretária-executiva do Decon, Ann Celly Sampaio, a situação é recorrente. “O consumidor, na hora de fazer o acordo, precisa saber quanto ele pode dispor para o pagamento daquela dívida”, explica.Para auxiliar no momento de renegociação, o Ministério Público do Ceará, por meio do Decon, promoverá, neste mês, uma mobilização para renegociação de débitos.

“Nós estamos convocando principalmente as instituições mais reclamadas e vamos dar um selo para as empresas com os melhores desempenhos”, diz Ann Celly Sampaio. Além da renegociação, os consumidores também poderão solicitar orientações sobre como proceder, caso se sintam lesados por uma empresa.

Entre os dias 11 e 14 de março, o atendimento será realizado no próprio Decon. Já no dia 15, no qual é celebrado o Dia do Consumidor, a mobilização será realizada na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza.

“Participam da renegociação entre 11 e 15 empresas. Teremos lá o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e o Serasa à disposição dos consumidores”, diz.

Além de Fortaleza, outros municípios do Ceará também receberão eventos de renegociação de dívidas com a mediação do Decon.

O Procon Fortaleza também está preparando, para o próximo dia 15 deste mês, um evento com foco na renegociação de dívidas, além da possibilidade de registro de reclamação contra empresas com equipes disponíveis na Praça do Ferreira.

“O consumidor terá a oportunidade de renegociar por meio de uma linha direta com essas empresas. A intermediação é importante no sentido de buscar reduzir os juros e mostrar ao consumidor que não é porque ele está inadimplente que ele não tem direitos”, afirma a diretora institucional do Procon Fortaleza, Cláudia Santos.

Negociação em quatro passos:

1. Identifique o tamanho da sua dívida
O consumidor tem o direito de solicitar ao credor um espelho de sua dívida. No espelho é possível identificar a incidência de juros e multa em cima do montante do débito. Se o consumidor não sabe exatamente o que deve, pode deixar a situação ser controlada pelo credor e ficar em desvantagem durante o processo de renegociação.

2. Faça um raio-x  das suas finanças
Antes de decidir fechar um acordo, é necessário saber a fatia das receitas que poderá ser destinada ao pagamento da dívida. Sem uma fotografia detalhada das receitas e despesas, o devedor pode se atrapalhar na negociação e acabar aceitando parcelas que não cabem no orçamento. Assim, o devedor pode terminar se envolvendo em uma nova bola de neve.

3. Não ceda às pressões dos credores
Ter equilíbrio emocional diante dessa situação pode parecer difícil, mas deve garantir a melhor negociação possível. Especialistas afirmam que o descontrole emocional é capaz de fazer com que o devedor aceite uma proposta com juros altos.

4. Reúna todos os documentos necessários
Ter em mãos todos os documentos relativos ao débito também ajuda o consumidor na hora de negociar. Com essas informações em mãos, será possível comprovar ou até contestar o credor, se for preciso.

Fonte: Diário do Nordeste